Excluir profissionais experientes é um erro estratégico
O etarismo no mercado de trabalho ainda exclui profissionais experientes com base em estereótipos relacionados à idade, à tecnologia e à capacidade de adaptação. Nunca entendi o verdadeiro motivo de existir tanto preconceito contra profissionais mais velhos.
Além disso,o etarismo é uma forma de discriminação baseada na idadee pode afetar pessoas de diferentes gerações. No ambiente profissional, ele aparece quando capacidades, comportamentos e competências são presumidos apenas com base na faixa etária.
“São ultrapassados.” “Não têm competências tecnológicas.” “Já não acompanham o ritmo.” “Terão dificuldade para se adaptar à equipe.”
Mas com base em quê? Quem determinou que a idade define a capacidade de aprender, criar, inovar ou acompanhar as transformações do mercado?
Essas afirmações reproduzem estereótipos que dizem muito pouco sobre as competências reais de uma pessoa. Na prática, acabam excluindo profissionais qualificados antes mesmo que eles tenham a oportunidade de mostrar o que sabem fazer.
Etarismo no mercado de trabalho: a idade não determina competência
Eu sou 30+ e acompanhei o surgimento da internet, das redes sociais e de muitas das tecnologias que hoje fazem parte do nosso dia a dia. Aprendi a utilizar novas plataformas, acompanhei mudanças na forma como consumimos informação, trabalhei com diferentes ferramentas digitais e continuo estudando para acompanhar as novidades da minha área.
Da mesma forma, isso aconteceu com muitas pessoas dos 40+, 50+, 60+ e 70+…
Não estamos falando de profissionais que ficaram parados no tempo. Estamos falando de pessoas que viram o mundo se transformar e que, muitas vezes, precisaram se adaptar diversas vezes ao longo da carreira.
Por exemplo, quem começou a trabalhar antes das redes sociais, por exemplo, teve de aprender novas formas de comunicação, relacionamento, vendas, gestão e produção. Essa capacidade de adaptação também é uma competência.
A experiência profissional não se aprende em algumas trends
Profissionais mais experientes trazem visão, maturidade, estabilidade, conhecimento, repertório, pensamento crítico e uma bagagem real de mercado.
São pessoas que já enfrentaram mudanças, crises, conflitos, projetos que deram certo e outros que deram completamente errado. Aprenderam a lidar com prazos, clientes, colegas, lideranças, imprevistos e responsabilidades que não aparecem nos conteúdos rápidos das redes sociais.
Ainda assim, cursos, formações e tendências são importantes. Eu também acredito na aprendizagem contínua (eu adoro estudar). No entanto, existem conhecimentos que só são construídos com o tempo e com a prática.
Nesse sentido, a experiência permite identificar riscos com mais facilidade, compreender melhor as consequências de uma decisão e evitar erros com os quais uma equipe já deveria ter aprendido no passado.
Por isso, rejeitar profissionaiscom mais vivência pode ser um dos maiores tiros no pé que uma empresa pode dar.
Competência não vem automaticamente com a idade
É importante deixar algo claro: ter mais idade não significa ser automaticamente mais competente, da mesma forma que ser jovem não significa ser automaticamente mais criativo, atualizado ou inovador. Existem profissionais excelentes e profissionais pouco preparados em todas as faixas etárias.
No entanto, o problema começa quando a idade passa a ser utilizada como critério de exclusão antes da análise das competências, da experiência, do portfólio, dos resultados e da capacidade de aprendizagem de cada pessoa.
Uma empresa que realmente procura talentos deveria avaliar o que cada profissional pode oferecer, e não a quantidade de aniversários que já celebrou.
O preconceito por idade afasta quem conhece o público
Além disso, existe ainda um ponto bastante óbvio que muitas empresas insistem em ignorar: o público-alvo de diversas marcas está justamente nas faixas etárias dos 40, 50, 60, 70 anos ou mais.
Essas pessoas compram, contratam serviços, utilizam tecnologia, consomem conteúdo, viajam, estudam, empreendem e tomam decisões financeiras. Não são pessoas desligadas do mundo. São pessoas que evoluíram com ele.
Então, faz sentido afastar profissionais que conhecem esse público por dentro?
Eu acho que não!
Por outro lado, uma equipe composta apenas por pessoas da mesma geração pode ter mais dificuldade para compreender diferentes comportamentos, necessidades e formas de comunicação. Quando existe diversidade etária, a empresa ganha mais referências, experiências e perspectivas para analisar os problemas.
A diversidade geracional fortalece as equipes
O mercado de trabalho não deveria ser uma disputa entre gerações!
Profissionais mais jovens podem trazer novos repertórios, referências culturais, formas diferentes de utilizar a tecnologia e uma visão renovada sobre determinados processos.
Ao mesmo tempo, profissionais mais experientes podem contribuir com conhecimento de mercado, maturidade profissional, capacidade de análise e experiências acumuladas ao longo da carreira.
Quando essas competências se encontram, todos aprendem.
A inovação não nasce apenas da novidade. Muitas vezes, ela surge da combinação entre novas ideias e conhecimentos já construídos.
Consequentemente empresas que promovem essa troca conseguem formar equipes mais completas, capazes de observar um mesmo desafio a partir de diferentes ângulos.
O etarismo no mercado de trabalho também prejudica as empresas
No fim, o etarismo não prejudica apenas quem é excluído de uma oportunidade de trabalho. Ele enfraquece as empresas.
Por exemplo, ao eliminar candidatos apenas por causa da idade, uma organização pode perder profissionais qualificados, reduzir a diversidade da equipe, limitar a troca de conhecimentos e afastar pessoas que compreendem profundamente os seus consumidores.
Além disso, uma cultura que trata profissionais como descartáveis depois de determinada idade transmite uma mensagem bastante clara: a experiência só é valorizada enquanto for conveniente.
Isso compromete a confiança, a motivação e o sentimento de segurança de toda a equipe, inclusive dos profissionais mais jovens, que também envelhecerão.
Valorizar profissionais experientes é ter visão de futuro
Por esse motivo, combater o etarismo no mercado de trabalho não é fazer um favor aos profissionais mais velhos. Também não deveria ser apenas um discurso bonito utilizado em campanhas institucionais.
É uma decisão estratégica.
O futuro do trabalho não será construído por uma única geração, mas por pessoas com diferentes idades, experiências, conhecimentos e formas de observar o mundo.
Assim, as empresas que entenderem isso terão equipes mais diversas, preparadas e capazes de acompanhar uma sociedade que também está envelhecendo e se transformando.
A pergunta, portanto, não deveria ser se um profissional tem idade demais para uma oportunidade.
Em outras palavras, a pergunta deveria ser muito mais simples:
O que essa pessoa sabe, o que já construiu e como pode contribuir?
Por fim, para aprofundar essa reflexão, o programa Hora Extra, do TRT Goiás, também discute como o etarismo limita a diversidade e a inclusão no ambiente de trabalho.