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Filme do Chorão: tudo sobre Só os Loucos Sabem

A viúva de Chorão, Graziela Gonçalves, a Grazon, como ele gostava de chamá-la, publicou em 2018 o livro Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz? – Minha História de Amor com o Chorão.

Quando escrevi a primeira versão deste artigo, em 2024, o livro estava na 18ª edição e já somava mais de 75 mil cópias vendidas. Nesta atualização, em agosto de 2026, a Companhia das Letras apresenta a obra como um best-seller com mais de 150 mil cópias vendidas no Brasil. Em novembro de 2025, o livro também ganhou uma edição especial e limitada em capa dura, com fotografias, bilhetes e rascunhos inéditos.

Do livro para o filme do chorão

E, sim… é oficial! A própria Grazon confirmou nas redes sociais: o livro vai virar filme. 

A história de Chorão e Graziela também chegou ao cinema com a cinebiografia Chorão: Só os Loucos Sabem. A Bravura Cinematográfica adquiriu os direitos de adaptação do livro Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz? – Minha História de Amor com o Chorão, publicado pela Companhia das Letras, e produziu o longa em coprodução com a Globo Filmes e o Telecine. A distribuição ficou a cargo da Downtown Filmes.

A direção é de Hugo Prata e Felipe Novaes, que já trabalharam juntos em Chorão: Marginal Alado. Já o roteiro é assinado por Duda de Almeida. No elenco, José Loreto interpreta Chorão, Nanda Marques vive Graziela e Pedro Tirolli dá vida a Champignon.

Fotografia reproduzida do Instagram de José Loreto, mostrando o elenco posado em estilo revista vintage.
Reprodução do Instagram de José Loreto.

Depois das filmagens em Santos e São Paulo, o longa teve sua primeira exibição mundial em 17 de agosto de 2026, durante o 54º Festival de Cinema de Gramado.

Equipe do filme Chorão: Só os Loucos Sabem no palco do 54º Festival de Cinema de Gramado, em 17 de agosto de 2026.
Equipe de Chorão: Só os Loucos Sabem no 54º Festival de Cinema de Gramado, em 17 de agosto de 2026. Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto/Divulgação/JC.

E a passagem por Gramado trouxe mais do que a première. José Loreto dividiu o Kikito de Melhor Ator por sua interpretação de Chorão, enquanto Otávio de Moraes venceu a categoria de Melhor Trilha Musical pelo filme.

Chorão: Marginal Alado e a trajetória de Alexandre Magno Abrão nas telas

Antes da cinebiografia, Hugo Prata e Felipe Novaes já tinham levado parte dessa história às telas com o documentário Chorão: Marginal Alado.

Em 2019, o filme foi eleito Melhor Documentário pelo Júri Popular na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Depois, em abril de 2021, chegou às plataformas digitais e tornou-se o filme mais assistido do Brasil naquele fim de semana, liderando serviços como NOW, Google Play, iTunes e YouTube Filmes.

A história de Chorão e Graziela

A relação de Chorão e Grazon inspirou alguns dos maiores sucessos da banda, como Proibida Pra Mim, Ela Vai Voltar (Todos os Defeitos de uma Mulher Perfeita), entre outras, ajudam a mostrar um lado mais íntimo e sensível do cantor e compositor que muita gente desconhecia.

Graziela conta que, quando conheceu Chorão, ele tinha fama de “mau”, mas sempre foi carinhoso, amoroso e extremamente zeloso com as pessoas que amava.

A história dos dois começou graças à Mari, amiga de Graziela, que namorava Ricardo, irmão de Chorão. Grazon hesitava, dizia que tinha receio, afinal, ele já tinha “ficado” com quase todas as mulheres de Santos. “Quem sabe um dia, Mari”, ela respondia. Mas tudo acontece quando tem de acontecer; o mundo acaba sempre por conspirar a favor.

Depois veio a primeira troca de olhares à beira-mar. Depois de alguns desencontros, acabaram por se encontrar numa balada de Santos e passaram horas conversando. 

Foi desse encontro que surgiu a frase “ela achou o meu cabelo engraçado”, eternizada em Proibida Pra Mim (Grazon), do álbum Transpiração Contínua Prolongada. Na época, Chorão tinha um cabelo desalinhado na altura dos ombros, com uma mecha vermelha fluorescente que chamava atenção sob as luzes da noite santista.

Boa parte dessas histórias aparece no livro de Graziela Gonçalves, Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz? – Minha História de Amor com o Chorão. Para quem conhece principalmente o artista dos palcos, o livro acrescenta outra perspectiva sobre a relação, os conflitos e os momentos que atravessaram a vida dos dois. Vale muito a leitura.

Quando cinema, memória e design se encontram

Quando penso nessa adaptação para o cinema, não penso apenas como fã do Chorão, eu também penso também como designer.

Podemos dizer que o cinema e o design são territórios onde memória, emoção e narrativa se encontram. No cinema, aquilo que sentimos ganha ritmo, imagem e som; no design, ganha forma, hierarquia, cor, tipografia e interação.

Essa relação entre música, memória e linguagem visual também aparece no meu Fanzine experimental Só os Loucos Sabem, dedicado ao Charlie Brown Jr. Nele, trabalhei direção visual, diagramação e narrativa editorial para transformar referências da banda em uma experiência gráfica.

É também nesse encontro que atua o design emocional. Não basta que algo seja visualmente interessante: cada escolha pode influenciar a primeira impressão, a experiência e aquilo que permanece na memória. É transformar sentimentos, histórias e até aquilo que é difícil de explicar em algo que outra pessoa possa perceber, interpretar e reconhecer como parte da sua própria experiência.

No fim das contas, o design e o cinema fazem o que o Charlie Brown Jr sempre fez: contar o que é real, do jeito que só a gente sabe sentir.

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